2/04/2007

Especial Estações Ferroviárias, parte I - Estação João Felipe

Dando um gás a mais para o blog, surgiu a idéia de fazer uma série especial de reportagens sobre as estações de Fortaleza em destino ao oeste da cidade, parando na estação Caucaia, já no município homônimo. Tal curso foi realizado no dia 20 de janeiro, organizado pelo Mestrado Acadêmico em Geografia (MAG), coordenado pelo Prof. Dr. Luiz Cruz Lima, e acompanhado do Prof. Dr. Rogério Haesbaert, da Universidade Federal Fluminense, cuja presença mostrou aos presentes a importância da desterritorialização na sociedade - e o roteiro mostrou isto em Fortaleza e no Ceará em geral.

"A Estação Central [João Felipe] é o ponto de convergência das Linhas Tronco Norte e Sul, interligando, assim, a malha ferroviária"* A estação, enfim, foi construída com o propósito de tanto fazer com que assumisse o posto de ligação entre a cidade de Fortaleza e o destino por onde as linhas férreas passariam e, indiretamente, tornou Fortaleza o ponto de encontro das várias direções onde a população de um Estado pobre como o Ceará é - Fortaleza inchou de forma mais rápida quando tornou-se pólo administrativo e econômico, vindo as matérias-primas do interior: "Com o aumento da movimentação de passageiros, elevou-se o número de casas comerciais nos quarteirões próximos à estação ferroviária"*.

A estrada de ferro, em Fortaleza, contribuiu também para que surgisse um pólo industrial em suas vizinhanças - avenida Francisco Sá. Com a função urbana industrial, Fortaleza passou a exercer o domínio econômico no Ceará, já emancipado, em detrimento do poderio do centro de Aquiraz, político, e de Aracati, econômico (as charqueadas). Com a função industrial e a comercial, rapidamente evoluía a função habitacional e, esta veio de tal forma tão rápido que hoje Fortaleza é a quarta maior cidade em termos populacionais do país.

Atualmente, a estrada de ferro é um signo da periferização desta população que vem do interior. Em suas "bordas", percebe-se a presença das camadas mais frágeis e pobres da população fortalezense, excluída de serviços públicos e certamente vivendo em um outro tempo histórico, reivindicando para si aquilo que o outro lado da cidade oferece a seus habitantes. É preciso ter olhares para este lado da cidade, para estas vias de desenvolvimento "subdesenvolvedor".

*Material do roteiro, elaborado pelo Laboratório de Estudos do Território e Turismo (NETTUR), do qual fazemos parte da equipe.

Fotos: 1) Frente da Estação João Felipe; 2) Locomotiva; e 3) "Fim da Linha".
Registro: Felipe Silveira

1/24/2007

Manifestação local: em defesa da Praia de Iracema.

Em uma manifestação no mínimo sarcástica, alguns moradores da Praia de Iracema, de forma até criativa, procuraram chamar a atenção de todos que frequentam o bairro - fortalezenses, turistas nacionais e os "investidores" internacionais - para, respectivamente, a sua maior mazela social e sua maior endemia: a prostituição e a turistificação sexual internacional.

Localizada em uma pequena porção territorial, cercada pelos bairros Meireles, Centro e pelo Oceano Atlântico, a Praia de Iracema é um dos bairros mais antigos de Fortaleza e (ainda) possui resquícios históricos, como o Estoril e a Ponte dos Ingleses, os quais provam e demonstram o enorme valor simbólico-cultural que esta pequena faixa de terra possui (parece um paradoxo, mas não é, enorme e pequena...)

Nos anos 1980, a Praia de Iracema vivia o seu auge, com a freqüência de pessoas principalmente das classes alta e média aos bares do local, mas, adentrando nos anos 1990 e chegando ao século XXI, a Praia de Iracema vem sofrendo paulatinamente alguns processos em seu espaço, como o da freqüência local, que caiu vertiginosamente, com a ressaca do mar, que veio abalar a infra-estrutura local e levando à falência os donos de bares e propiciou o aparecimento (digo, crescimento) de uma nova forma de apropriação (nos termos de Lefebvre) do espaço: imóveis turísticos nas mãos estrangeiras e o turismo sexual.

Hoje esse turismo ultrapassa os limites da Praia de Iracema e alcança o próprio Meireles e até o Centro, sendo as praças seus "pontos", além de 'internacionalizar' tal área. E percebe-se que a cada ano aumenta o número de visitantes internacionais que buscam o prazer sexual "a baixos custos". Resultado disso é a cidade ser internacionalmente conhecida por essa forma de atividade turística - ao invés de, além de visitar as praias, realizar a visitação dos locais históricos de Fortaleza.

Faltam, portanto, políticas públicas de inclusão social e que possam levar essas pessoas marginalizadas a ter uma vida mais dignificada, abandonando esta vida mundana, de humilhação e de auto-destruição moral. "A carne mais barata".

Fotos: 1)Edifício São Pedro, lateralmente; 2) "A carne mais barata", em português e em inglês, "para inglês ver".
Registro: Felipe Silveira

1/20/2007

Avenida Paranjana, a linha de ônibus: movimentos sociais e dinâmicas espaciais.

Creio que, pelo que título que se lê, talvez seja um tema "engraçado" ou constrangedor falar de uma (na verdade, duas) linha de ônibus que tem tantas peculiaridades; aconteceu, com um ou com outro, algum episódio em que o título deste post-artigo retrate, ou será que alguém nega o grande poder de movimentação social e provocador de uma dinâmica espacial que estes ônibus possuem?

Alguém pode vir dizer que já foi furtado ou uma mulher, que já sentiu ereções maliciosas por trás. Claro que isso também existe em linhas de grande proporção - certamente isso não é fato exclusivo desta[s] linha[s]. Voltemos à pauta. A linha, que percorre quatro terminais do Sistema Integrado de Transporte, criado pelo ex-prefeito Juraci Magalhães na década de 1990 (Antônio Bezerra, Papicu, Parangaba e Lagoa), é responsável pela translocação de, por exemplo, estudantes da Universidade Estadual do Ceará da zona abrangente da Regional I à UECE; ligação da Barra do Ceará ao Shopings Del Paseo, Jardins, Aldeota e/ou Center Um ou o transporte de torcedores residentes no Papicu os quais pretendem ir ao Castelão (indo e voltando, vice-versa); tais exemplos, só esta linha consegue cobrir.

Carregando imensa responsabilidade, a[s] linha[s] sofre com vários problemas, em que a vítima é o passageiro e este acaba sofrendo com eles: algumas grandes vias por onde ela passa tem sua capacidade infra-estrutural e de trânsito saturada, como as avenidas Eng. Santana Júnior, Washington Soares, Santos Dumont e José Bastos; lotações extremas nos horários de pico, sendo a demana insuficiente e, claro, a insegurança dos passageiros que a[s] utiliza[m], com o perigo de ser furtado, aliciado ou mesmo danos físicos.

Pode parecer brincadeira, mas a importância desta[s] linha[s] para a cidade é grande, por se tratar de linha[s] de grande porte e, com isso, responsável pelo transporte de mão-de-obra do setor terciário e de estudantes, precisa ser vista com cautela e carinho, pois resolvendo grandes problemas, os pequenos podem ser resolvidos realmente mais facilmente - embora a lógica me faça estar equivocado, às vezes as pequenas falhas são as mais complicadas de se resolver; a foto pode achar que não é de um Av. Paranjana 2, mas ela foi tirada perto das 12h - e mesmo assim houve um furto dentro do ônibus: alguém "perdeu" um celular.

Se não termos cuidado com as grandes linhas de ônibus, o transporte público poderá a vir se tornar um caos urbano. E logo.

Fotos: 1) Terminal Antônio Bezerra, também conhecido como "Terminal dos Pobres"; 2) Interior de um Av. Paranjana 2: 38405, da empresa Maratur (20/01)
Registro: Felipe Silveira

Blogueiro, enfim, de volta.

Devido a várias ocupações depois do curto recesso de fim de ano, agora que o blogueiro mais passa os dias fora de casa que dentro dela, só agora pude me organizar e voltar à tona, claro, para os interessados.

Vamos tentar ao máximo seguir a lógica dos dois posts semanais, às quartas e aos domingos; adiantamos que ainda não é certeza esta lógica prosseguir, mas quando ela mudar, se mudar, será previamente avisado aqui.