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Vocês não imaginam como o vosso blogueiro respira fotografia: qualquer lugar é paisagem e qualquer assunto, postagem. A postagem de domingo, no caso hoje, tinha uma pauta que trataria um pouco a respeito do Colégio Militar de Fortaleza, porém eu fui abordado por um soldado e fui rapidamente inquerido e quase fui preso por tirar fotos do prédio, de acordo com a preocupação de minha mãe e a falta de inteligência deste blogueiro por não saber da "inviabilidade" de tirar fotos de prédios públicos e militares (se no caso de ser preso eu estiver equivocado, me corrijam!). Então, precisei de paz para postar e ter um conteúdo para isso; paz eu não tive, pelo contrário, mas aqui vai um assunto que trata de paz.
Igrejas. Fortaleza tem várias igrejas: diferentes estilos arquitetônicos, épocas de construção e hábitos de seus beatos. Quem é dos católicos mais fervorosos afirma sentir-se bem dentro da casa de Deus, mas mesmo os não muito fervorosos ou talvez até os céticos ou se impressionam com a sua grandiosidade ou sentem malgo tranquilizador ali dentro. Nos bairros mais antigos de Fortaleza, onde se iniciou o processo de habitação, é fácil encontrá-las, ao contrário da Cidade Nova que vem surgindo.
As diferentes formas marcam as igrejas de Fortaleza, onde visivelmente se pode lhes dar uma característica peculiar, seja no seu aspecto arquitetônico original, seja ou em algum apetrecho de realce ou em algum adorno, enfim, algo particular que batiza a igreja em cada local. Afirmo com veemência que senti um sabor diferente ao tirar as fotos desta postagem, talvez a mesma emoção de fotografar um pôr-do-sol lindo ou a sensação de deitar na cama depois de um dia fatigante; beleza e espiritualidade cada vez mais de braços dados.
Não querendo ser herege de maneira nenhuma, mas muitas
das igrejas nossas atraem a nossa cansada e sofrível (no sentido lato de sofrer com as agruras do dia-a-dia) população, cada vez mais são atraídas mais pela curiosidade, da beleza de um paraíso ao alcance dos olhos que simplesmente rezar; com o mundo atual, é difícil, infelizmente, ter tempo para a autoreflexão. Que a beleza possa resgatar esse poder.
Fotos: 1) Igreja no Conjunto Veneza Tropical; 2) Paróquia da Prainha, na Praia de Iracema e 3) Visão do altar da Paróquia de São Pio X, no Panamericano
Registro: Felipe Silveira
Quem nunca se deparou com uma multidão, em uma grande cidade, buscando alguma forma alternativa de ganhar dinheiro e, por conseguinte, garantir a sua sobrevivência? Em Fortaleza isso não é diferente, não só por ela ser a quarta maior cidade do país, em termos de população, mas pelo simples fato, sobretudo, de ser uma grande cidade.
Qualquer pessoa que passe pelo Centro de Fortaleza encontrará, além de muitas lojas - haja vista que o Centro é, ainda, o locus do comércio -, uma gama de vendedores ambulantes. Surgiram mansamente, sem grande alarde; atualmente, é visto com discórdia pelos comerciantes, pelo fato de perderem mercado para os ambulantes, que se instalam onde lhes convir e não devem nada ao Estado - não pagam impostos como os comerciários. Embora seja possível encontrá-los em quase toda esquina do Centro, existem locais
onde os ambulantes mais se concentram e são estes, principalmente, os seus preferidos: Praça Caio Prado, em frente à Catedral (pela manhã); Beco da Poeira e Praça da Lagoinha.
O Beco da Poeira é conhecidíssimo por muitos fortalezenses, pois lá se encontram produtos a preços baixíssimos, além daquela confusão latente ; tão conhecido que até as autoridades procuram resolver este problema e alocá-los em um local bem mais propício - seria vizinho à estação do Metrofor, mas existem desentendimentos entre os governos estadual e municipal.
O Beco da Poeira é um dos maiores símbolos, senão o maior, de que o Centro de Fortaleza é local de comércio sobretudo para o pobre, para a população de baixa renda. O problema maior, contudo, é garantir formalidade ao trabalho dessas pessoas, para que as taxas de desemprego não sejam tão altas e a qualidade de arrecadação de recursos do governo e principalmente de vida desta população não seja tão baixa, além da invasão dos ambulantes de forma indiferente ao espaço público, prejudicando-o e o poluindo.
Fotos: Beco da Poeira, tirada dentro do ônibus 038 - Parangaba/Papicu/Centro, a 19 de outubro de 2006.
Registro: Felipe Silveira
Foi realizado, entre os dias 18, 19 e 20 de outubro,
o Fórum Fortaleza Cidade Aberta, onde se pôde discutir sobre alguns destinos que a cidade deve trilhar, na visão dos participantes através de palestras de especialistas em diversos setores. O evento foi realizado no Ministério Público Estadual e formatado para arquitetos, geógrafos, planejadores, urbanistas, ambientalistas, técnicos e todos aqueles interessados.
No primeiro dia, palestras de manhã e de tarde com os argentinos Roberto Monteverde e Rúben Palumbo, trazendo os exemplos de Rosario e Tucumán no processo de desenvolvimento participativo da cidade. Os desafios urbanos estão presentes em toda e qualquer cidade, seja qual for o seu porte; o Plano de Desenvolvimento Metropolitano de Rosario toma como eixo de ação o sistema ferroviário (as linhas férreas, numa grande faixa vertical), onde se concentram um grande percentual das favelas de Rosario. Fortaleza e seu Plano Diretor Participativo tem como eixo de ação o programa Fortaleza Bela, com cujas ações em diversos âmbitos visa proporcionar uma cidade mais equitativamente equilibrada.
No segundo dia, as participações de Joaquim Cartaxo e Fausto Nilo, discutindo sobre os desafios urbanos de Fortaleza e as experiências de planificação urbana, respectivamente, onde predominou a discussão sobre Fortaleza neste dia; no terceiro dia, entrou em pauta a questão ambiental-sanitária, com os problemas de saneamento e suas possíveis soluções. Enfim, uma discussão de alto nível em que se debateu Fortaleza, como deve ser em uma gestão participativa como esta atual.
Participaram deste fórum: Rúben Palumbo, Roberto Monteverde; Fausto Nilo, Joaquim Cartaxo, Maurício Farias, Karin Segala, José Fernando Thomé Jucá, Pedro Saboya, Olavo Fraga Lima; Silvana Monteiro, Marcos Montenegro; Denise de Mattos Gaudard, Lucila Fernandes, Enrico Maria Roveda e Antônio Miranda.
Fotos: 1) Auditório do MPE, banner do fórum; 2) Palestra de Fausto Nilo, à esquerda; na mesa, Joaquim Cartaxo e Rocha Júnior.
Registro: Felipe Silveira
A partir dos primeiros planos urbanísticos da cidade, propostos por Silva Paulet e posteriormente por Adolfo Herbster, merecia destaque nos mapas a "invasão" para o interior da cidade, fazendo com que a cidade de Fortaleza não fosse apenas a faixa litorânea, até porque cada vez mais os sertanejos estavam por vir, desejosos de melhores condições de vida na capital da então província e hoje Estado do Ceará.
Para tornar essa ligação entre praia e sertão possível, surgiram os boulevares, do francês boulevards. Visivelmente influenciada pela cultura francesa, Fortaleza também importava os moldes
urbanísticos e arquitetônicos, além de todo o comportamento da alta sociedade também vir de Paris - nesse época foi que surgiu a belle époque. Os primeiros boulevares de Fortaleza foram as atuais avenidas do Imperador, Dom Manuel e Duque de Caxias. Representando uma nova faceta e reproduzindo um novo conceito de urbanismo, eles não só cresceram como também se ampliaram, em algumas partes da cidade, sendo hoje algumas das nossas maiores avenidas. É, contudo, importante que esse pensamento, esse conceito de boulevard prossiga entre os nossos urbanistas e paisagistas, pois além da função paisagística, as árvores belas e frondosas também contribuem para o nosso meio ambiente e para a redução das ilhas de calor.

Fotos: em ordem: 1) Avenida Dom Manuel; 2) Avenida Duque de Caxias e 3) Avenida do Imperador, tiradas entre os dias 17 e 18/10, dentro do ônibus 077 - Parangaba/Mucuripe.
Registro: Felipe Silveira
Segundo a matéria do dia 31/8 do Diário do Nordeste, cujo título é Lentidão do Metrofor traz Prejuízos, relata o seguinte: "A lentidão com que o Metrô de Fortaleza (Metrofor) vem sendo construído acarreta sérios prejuízos para os cofres públicos. Independente de as obras estarem, ou não, em andamento, todos os meses cerca de R$ 900 mil a R$ 1 milhão são gastos com o gerenciamento, supervisão, limpeza e manutenção dos canteiros de obras." A situação parece, atualmente, estar se modificando, mesmo que a passos lentos, vagarosos.
Passando pela avenida João Pessoa, que corta os bairros Benfica e Damas, percebemos que existem homens trabalhando em obras do poder do Metrofor; há, também, gente trabalhando no Mondubim. Precisa-se avaliar, além do andamento dos trabalhos, se estes estão sendo realizados obedecendo todos os trâmites - o que aparenta estar - e também respeitando as pessoas e bairros e seus patrimônios. Isso também foi nota de outra reportagem do Diário do Nordeste, em que um minimuseu poderá estar bastante afetado, sobretudo estruturalmente, devido à intensidade das obras do Metrofor, que está situada a poucos metros do local e preocupa o dono-curador, seu Estrigas Firmeza. Próximo ao minimuseu, que também é sua casa, estará um viaduto, o qual já fora desviado em prol da preservação da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Voltando à imagem da avenida João Pessoa, percebe-se
também que os novos vagões - em pouca quantidade, mas já é um bom começo - estão circulando, propiciando maior conforto aos usuários. Na imagem, o contraste: vagões modernos e a locomotiva enferrujada, o que prova o seu avançar em um ritmo vagaroso, tal qual o trem. Assim também é o Metrofor, um contraste: garantia de melhor transporte à qualquer custo? Será que o seu Estrigas Firmeza trocaria um desenho de Rubem Braga, que lhe foi dado de presente pelo próprio, pelo metrô?
Fotos: avenida João Pessoa, na altura do trilho, próximo à avenida Carneiro de Mendonça; tirada dentro do ônibus 077 - Parangaba/Mucuripe.
Registro: Felipe Silveira
Dia 9 de outubro de 2006, 9 horas da manhã; visitando o Parque Adahil Barreto, para dar uma volta e tirar algumas fotos com amigos da faculdade de Geografia, fotos estas que serviriam para um projeto nosso, constatar-nos-amos com algo que certamente passa desapercebido a muitos olhares, mas não aos nossos: crianças da rede municipal de ensino visitando o parque, com suas "tias", e tendo lições de meio ambiente.
Andando pelo parque, em partes belo, por sinal, percebemos que era um grupo enorme de estudantes juvenis, alguns comendo biscoitos recheados com refrigerantes; um se levantou e foi jogar os plásticos no lixo - lindo!
Localizado perto da Assembléia Legislativa, o Parque Adahil Barreto está localizado em um trecho por onde passa o rio Cocó, tão famoso por essas paragens por uma alcunha a qual me recuso a escrever; por isso que existe no parque a presença de manguezais, além das plantas nativas e/ou históricas do Ceará e de nosso país.
Sentado, apenas conversando com os amigos, pude perceber a movimentação que havia ali. O parque (ainda) possui vida! E é nesse sentido que as crianças da rede municipal ali aparecem, para dar vida e manter o local vivo! Aplausos para essa iniciativa!
Fotos: Parque Adahil Barreto
1- Horizonte de parte do parque, urbanizado;
2- Manguezal e rio Cocó, inseridos no parque;
3- Pau-Brasil.
Registro: Felipe Silveira
Em mais um comentário sobre os problemas que Fortaleza possui - e todas as cidades, principalmente grandes metrópoles, sofrem com problemas -, agora vem a questão do transporte público. Não que este seja deplorável ou péssimo, mas a necessidade de aperfeiçoamento é latente.
Com quase dois milhões e meio de habitantes (2.416.920 habitantes) e sendo a quarta maior cidade do país em termos populacionais, Fortaleza, com seus 313 km², possui, segundo levantamento da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) 1.623 veículos coletivos para atender a 35% da população com 218 linhas. Possuindo um número de veículos relativamente reduzido, a meu ver, em constraste com o número de passageiros, as melhorias estão sendo efetivamente estudadas e, em breve, serão (?) implantadas. Uma dificuldade a ser resolvida é a da redução dos tempos de viagem que, devido aos terminais de integração, pontos onde o passageiro pode trocar de ônibus de graça, acaba tornando as viagens mais lentas.
Isso e outras melhorias, como o aperfeiçoamento do trânsito de Fortaleza, está presente no Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor), que contará com fundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Prefeitura de Fortaleza.
Espero que o Transfor realmente possa vingar, pois melhorará a vida dos passageiros de ônibus, como eu, e também do trânsito em si, como muitos motoristas Fortaleza afora. Um plano audacioso, talvez, porém urgente.
Foto: ônibus da empresa Via Urbana na avenida Presidente Castello Branco, linha 071 - Antônio Bezerra/Mucuripe, tirada na Praça do Cristo Redentor.
Registro: Felipe Silveira.
Os parques de Fortaleza, neste início de século, tem assumido um papel diferente daquele assumido há até alguns anos atrás: eu, em minha infância, cheguei a ir ao Parque Adahil Barreto, localizado próximo à Assembléia Legislativa do Ceará e da Via Expressa, andar de quadriciclo pagando dois reais por dez minutos - nota-se que não faz tanto tempo assim pela moeda - e tomava banho numa cachoeira nas brenhas dos mangues; hoje os quadriciclos não mais estão lá, não se entra mais nessas brenhas e o parque virou apenas um local ou de prazer social extremamente pessoal e de educação ambiental promovido pelos órgãos públicos.
O parque em questão da foto é o Rio Branco, localizado no bairro Joaquim Távora, na avenida Pontes Vieira, cujas dependências não estão tão bem mantidas, a começar pelo riacho Maceió, que o corta. A culpa, contudo, dessa vez, não é exclusiva do poder público, mas sobretudo da população que, sem alternativa nem educação, pratica diversas formas de poluição no parque: visual (pichações); ambiental (lixo) dentre outras. Colocar em pauta a educação ambiental nas escolas não só municipais, mas em todas, principalmente nas particulares, é questão de sobrevida do ambiente da cidade e de respeito do cidadão para com o próximo. Não basta cobrar das autoridades, ajude-as a fiscalizar seus trabalhos!
Foto: Avenida Pontes Vieira, após passar do cruzamento com a Rua Frei Vidal; Parque Rio Branco ao fundo. Fotografia tirada de dentro do ônibus 011 - Circular 1
Registro: Felipe Silveira
Para quem acompanha este blog, um aviso:
as postagens estavam vindo sem determinação de dia; agora, para melhor acompanhamento de ambas as partes, os posts passarão a vir nos domingos e nas quartas, não sendo necessariamente um post apenas. Por isso é válido verificar a data de postagem.
E um recado: VOTEM CONSCIENTE!
Além da bela paisagem, a Praça de Fátima é um exemplo de cuidado e zelo por parte das pessoas, as quais reivindicaram sua reforma e sua humanização e agora, inteligentemente, estão sabendo mantê-la realmente bela e aprazível, embora isso não seja uma unanimidade.
Ao passar pela calçada da praça, ainda é possível ver papel no chão, sinal da falta de educação que a população fortalezense possui em termos de consciência ambiental. Sendo em bem menores proporções que no Centro da cidade, onde se vê desde papel até sabugo de milho no chão, a Praça de Fátima, com as lixeiras bem visíveis, tem um apoio fundamental para a conservação de sua beleza (ou pelo menos a tentativa de): a Igreja de Fátima, cuja imponência atrai os olhares de quem repousa ou conversa na praça, em frente à casa eclesiástica. Se ela influi para a praça, graças a Deus!
Foto: Praça de Fátima, na Avenida 13 de Maio, tirada dentro do ônibus 011 - Circular 1
Registro: Felipe Silveira