Dando um gás a mais para o blog, surgiu a idéia de fazer uma série especial de reportagens sobre as estações de Fortaleza em destino ao oeste da cidade, parando na estação Caucaia, já no município homônimo. Tal curso foi realizado no dia 20 de janeiro, organizado pelo Mestrado Acadêmico em Geografia (MAG), coordenado pelo Prof. Dr. Luiz Cruz Lima, e acompanhado do Prof. Dr. Rogério Haesbaert, da Universidade Federal Fluminense, cuja presença mostrou aos presentes a importância da desterritorialização na sociedade - e o roteiro mostrou isto em Fortaleza e no Ceará em geral.
"A Estação Central [João Felipe]
é o ponto de convergência das Linhas Tronco Norte e Sul, interligando, assim, a malha ferroviária"* A estação, enfim, foi construída com o propósito de tanto fazer com que assumisse o posto de ligação entre a cidade de Fortaleza e o destino por onde as linhas férreas passariam e, indiretamente, tornou Fortaleza o ponto de encontro das várias direções onde a população de um Estado pobre como o Ceará é - Fortaleza inchou de forma mais rápida quando tornou-se pólo administrativo e econômico, vindo as matérias-primas do interior: "Com o aumento da movimentação de passageiros, elevou-se o número de casas comerciais nos quarteirões próximos à estação ferroviária"*.
A estrada de ferro, em Fortaleza, contribuiu também para que surgisse um pólo industrial em suas vizinhanças - avenida Francisco Sá. Com a função urbana industrial, Fortaleza passou a exercer o domínio econômico no Ceará, já emancipado, em detrimento do poderio do centro de Aquiraz, político, e de Aracati, econômico (as charqueadas). Com a função industrial e a comercial, rapidamente evoluía a função habitacional e, esta veio de tal forma tão rápido que hoje Fortaleza é a quarta maior cidade em termos populacionais do país.
Atualmente, a estrada de ferro é um signo da periferização desta população que vem do interior. Em suas "bordas",
percebe-se a presença das camadas mais frágeis e pobres da população fortalezense, excluída de serviços públicos e certamente vivendo em um outro tempo histórico, reivindicando para si aquilo que o outro lado da cidade oferece a seus habitantes. É preciso ter olhares para este lado da cidade, para estas vias de desenvolvimento "subdesenvolvedor".
*Material do roteiro, elaborado pelo Laboratório de Estudos do Território e Turismo (NETTUR), do qual fazemos parte da equipe.
Fotos: 1) Frente da Estação João Felipe; 2) Locomotiva; e 3) "Fim da Linha".
Registro: Felipe Silveira
"A Estação Central [João Felipe]
Atualmente, a estrada de ferro é um signo da periferização desta população que vem do interior. Em suas "bordas",
percebe-se a presença das camadas mais frágeis e pobres da população fortalezense, excluída de serviços públicos e certamente vivendo em um outro tempo histórico, reivindicando para si aquilo que o outro lado da cidade oferece a seus habitantes. É preciso ter olhares para este lado da cidade, para estas vias de desenvolvimento "subdesenvolvedor".*Material do roteiro, elaborado pelo Laboratório de Estudos do Território e Turismo (NETTUR), do qual fazemos parte da equipe.
Fotos: 1) Frente da Estação João Felipe; 2) Locomotiva; e 3) "Fim da Linha".
Registro: Felipe Silveira

Um comentário:
Bacana esta matéria, mostrando as relações da malha ferroviária de Fortaleza com destaque para a estação de João Felipe. Realmente se pararmos pra pensar e analisar sob diversos pontos de vista, a cidade de Fortaleza cresceu muito e desordenadamente com o incremento da malha ferroviária, gerando uma segregação social bem visível na cidade. O lado mais desamparado deve ser mais bem assistido pela sociedade e pelas autoridades competentes para q o desnível social e as desigualdades sejam amenizadas e todos possam desfrutar dos servoços básicos de forma igualitária (pelo menos os serviços básicos).
Valeu Felipe!!
Raquel Moarais
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