Em uma manifestação no mínimo sarcástica, alguns moradores da Praia de Iracema, de forma até criativa, procuraram chamar a atenção de todos que frequentam o bairro - fortalezenses, turistas nacionais e os "investidores" internacionais - para, respectivamente, a sua maior mazela social e sua maior endemia: a prostituição e a turistificação sexual internacional.Localizada em uma pequena porção territorial, cercada pelos bairros Meireles, Centro e pelo Oceano Atlântico, a Praia de Iracema é um dos bairros mais antigos de Fortaleza e (ainda) possui resquícios históricos, como o Estoril e a Ponte dos Ingleses, os quais provam e demonstram o enorme valor simbólico-cultural que esta pequena faixa de terra possui (parece um paradoxo, mas não é, enorme e pequena...)
Nos anos 1980, a Praia de Iracema vivia o seu auge, com a freqüência de pessoas principalmente das classes alta e média aos bares do local, mas, adentrando nos anos 1990 e chegando ao século XXI, a Praia de Iracema vem sofrendo paulatinamente alguns processos em seu espaço, como o da freqüência local, que caiu vertiginosamente, com a ressaca do mar, que veio abalar a infra-estrutura local e levando à falência os donos de bares e propiciou o aparecimento (digo, crescimento) de uma nova forma de apropriação (nos termos de Lefebvre) do espaço: imóveis turísticos nas mãos estrangeiras e o turismo sexual.
Hoje esse turismo ultrapassa os limites da Praia de
Iracema e alcança o próprio Meireles e até o Centro, sendo as praças seus "pontos", além de 'internacionalizar' tal área. E percebe-se que a cada ano aumenta o número de visitantes internacionais que buscam o prazer sexual "a baixos custos". Resultado disso é a cidade ser internacionalmente conhecida por essa forma de atividade turística - ao invés de, além de visitar as praias, realizar a visitação dos locais históricos de Fortaleza.Faltam, portanto, políticas públicas de inclusão social e que possam levar essas pessoas marginalizadas a ter uma vida mais dignificada, abandonando esta vida mundana, de humilhação e de auto-destruição moral. "A carne mais barata".
Fotos: 1)Edifício São Pedro, lateralmente; 2) "A carne mais barata", em português e em inglês, "para inglês ver".
Registro: Felipe Silveira


