11/26/2006

Viajando é que se observa o lugar.

Quem não gosta de viajar? Quem que, quando chega as datas festivas, não junta seus trocados e sai da capital rumo ao interior para visitar a família ou fazer turismo em algum local? Os fortalezenses são assim.

E para isso o meio de transporte mais utilizado ainda é o ônibus. Embora Fortaleza seja provida de um aeroporto com imensa infra-estrutura e sendo ele um dos maiores do Nordeste, a população não tem acesso ao aeroporto devido ao custo das passagens aéreas, sendo as terrestres bem mais acessíveis ao bolso do cidadão e do trabalhador fortalezense - e do brasileiro em geral.

Mesmo não apresentando a mesma infra-estrutura do aeroporto - que recebe rotas internacionais - a rodoviária diariamente possui um número relativo de passageiros, mesmo com o período de baixa estação. Quando no período de alta estação, a rodoviária, carente de infra-estrutura que suporte a demanda de passageiros nestas épocas, recebe um número alto de passageiros e as empresas todos os anos disponibilizam ônibus extras para cumprir com a demanda.

Daí a problemática: como ampliar os serviços à população? Ampliando a infra-estrutura do local ou possibilitando o acesso
às viagens aéreas?

Fotos: 1) Fachada da rodoviária; 2) Entrada da rodoviária e 3) Interior da rodoviária (24/11)

Registro: Felipe Silveira.

11/22/2006

Verticalização: vaidade ou necessidade?

Será que o processo pelo qual as grandes metrópoles ditas subdesenvolvidas vem passando e as ditas cidades desenvolvidas o tem consolidado é realmente algo importante?

Analisando Fortaleza - pois é a temática de nosso blog,

embora não se desconsidere as outras cidades - pode-se dizer que seu crescimento e desenvolvimento é bombástico, frenético e muito rápido. Como base desta minha afirmação dou o número da população de Fortaleza de 1863, 1963 e 2005, em valores aproximados: no primeiro, 16 mil habitantes; no segundo, 1,2 milhão e no terceiro, 2,5 milhões. Com isso, além da "elevação" da nossa cidade à quarta maior do país, vieram suas conseqüências, sendo a maior delas o déficit habitacional e as ocupações irregulares.

Daí a engenharia ter desenvolvido e trazido para o país e para o Ceará as construções verticais, não como solução ao problema, mas como nova opção. De 1970 em diante, observa-se um crescimento dessas construções, principalmente nos bairros ditos nobres, onde estão os detentores de capital. Hoje estes bairros são identificáveis, ao longe, pela sua arquitetura, quase que toda erguida a formar verdadeiros pilares: a Aldeota assim é reconhecível.

Com este processo surgem, consigo, a favelização das periferias. Na própria Aldeota, no coração do bairro há uma favela, onde inclusive está sediada a sede da Central Única das Favelas (CUFA): a Favela da Quadra - ou Conjunto Santa Cecília (por estar por trás de um colégio com nome homônimo) e, com a favelização, todas as mazelas sociais estão propensas a ocorrer e a cidade assumir faces distorcidas e produzir múltiplos problemas.

Vaidade ou necessidade?

Foto: À primeira vista, o Centro da cidade; ao fundo, o bairro "mais" nobre de Fortaleza, a Aldeota (11/11).
Registro: Felipe Silveira

11/19/2006

Coração da Cidade

Quando se pergunta "onde e qual é o coração de Fortaleza?", muitos, senão todos, respondem, talvez em uníssono: Praça do Ferreira.

Localizada no Centro de Fortaleza, "a Praça do Ferreira, desde quando alcunhada desta forma, veio sofrendo constantes transformações arquitetônica-urbanísticas, a começar pelo próprio Ferreira - antes, porém, de a praça ter seu nome - e ter Guilherme Rocha, Godofredo Maciel e Raimundo Girão os maiores agentes dessas metamorfoses."¹ O boticário Ferreira, como p
ercebe-se no texto, teve grande influência na consolidação da praça que hoje leva seu nome, a antes chamada Praça Municipal; sua contribuição veio, assim como as do Governador Sampaio e de seu engenheiro, Silva Paulet, para o aformoseamento de Fortaleza - o boticário à época era presidente da Câmara.

Embora atualmente sofra mais metamorfoses sociais que físicas - a vida da praça vem mudando, a presença humana vem dando novas funções à forma -, a Praça do Ferreira é um dos maiores arcabouços culturais e históricos da cidade. Como afirma Raimundo Girão: "Desapareceu a Botica do Boticário, desapareceu a Intendência, desapareceu muita coisa, porém não morreu o espírito da Praça, espírito que é o mesmo da cidade atual, gesticulante e bregeira, espírito do Ceará-heróico e do Ceará-moleque, que ora se zanga e derriba tiranos [...] , ou dá vaias ao próprio sol."

Se até os famigerados pombos estão sempre presentes e o bode Ioiô fez fama de cachaceiro e eleito vereador são[era] freqüente[s] na Praça, por que não devemos nós cidadãos dar nossos passos e deixar nossa marca, nossa história, nossa vida por aquela pairagem?

¹: texto de pesquisa de Felipe Silveira.

Fotos: 1) Visão Panorâmica da Praça do Ferreira; 2) Pombos e pessoas: a diversidade viva e dando vida à praça.

Registro: Felipe Silveira

11/15/2006

Imagens e fatos.

Centro de Fortaleza, Praça General Tibúrcio - nome desconhecido por grande parte da população e popularmentemente a praça é conhecida como Praça dos Leões. Embora a prefeitura envie e concentre grandes forças do programa Fortaleza Bela neste bairro, a própria não colabora para o embelezamento urbano.

A cidade, sendo reflexo da (re)produção material e social do capital, provoca diversas reações e conseqüências para seu próprio espaço geográfico. Isso é perceptível nas grandes cidades através
das classes sociais e entre elas. No Centro, locus do comércio popular de Fortaleza, possui sobretudo pessoas de renda média para baixa como transeuntes e consumidores, e o local acaba assumindo uma fisionomia degradada: o excesso de pessoas provoca um excesso de resíduos, resultando na poluição. O Centro é o bairro mais poluído da cidade, de acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Ceará (SEMACE); poluído principalmente pelos veículos e pelo lixo urbano.

Não se trata de dizer que o pobre é mal educado ou seboso, até porque a instituição educadora, a prefeitura, também está pecando. O ponto de discussão é outro: até quando o lixo fará parte da paisagem da cidade?

Foto: Praça dos Leões: escultura "protetora" da praça e contâiner da ECOFor.
Registro: Felipe Silveira

11/12/2006

Passeio(?) Público(?)

Os locais públicos, não só aqui, mas como em muitos lugares - e isto não é demérito apenas brasileiro - que as praças e os logadouros de domínio do povo vem, com suas formas, provocando, produzindo e exercendo novas funções para o seu dono.

Antiga Praça dos Mártires, devido ao seu valor histórico, por lá terem sido executados alguns "insurgentes" como Pessoa Anta e Carapinima, líderes locais da Confederação do Equador, o Passeio Público, local hoje onde visualmente se percebe uma riqueza histórica imensa, desde os seus postes à gás (os globos foram retirados para evitar ação vândala), passando pela flora chegando até à arquitetura e obras de arte gregas, romanas e francesas, reclama por ajuda; ou melhor, reclama por visitantes.

Antes freqüentada pela high society fortalezense, durante os séculos XVII e XIX, onde as damas sentiam a brisa de uma cidade ainda não tão quente como hoje e travestidas de roupas imensas importadas da França, o Passeio Público hoje tem como principais freqüentadores prostitutas, mendigos e marginais. Nem tudo são espinhos, contudo. Lá e
xistem seres de bem e que ainda zelam pelo local, além de uma tímida ação da Prefeitura de Fortaleza. Se você[s] tiver[em] medo de cachorro, cuidado: a Princesa e o Paulistinha, à princípio, não são nada simpáticos; são os "guardiães" da praça, um vira-lata e outro cuja raça não sei o nome.

Como diz Ana Fani, em seu livro A Cidade, "A paisagem urbana, enquanto forma de manifestação do
espaço urbano, reproduz num momento vários momentos da história.", e o Passeio Público é o maior exemplo disso, em Fortaleza, maior mesmo que o nosso maior símbolo, a Praça do Ferreira. E Fani confirma o meu texto: "A dimensão de vários tempos está impregnada na paisagem da cidade."

Fotos: 1) Mendigos dormindo nos bancos da praça; 2) Árvore centenária; 3) Escultura com traços greco-romanos.

Registro: Felipe Silveira

11/06/2006

Luzes da Terra da Luz

Como alguns já sabem, Fortaleza alimenta um apelido bastante carinhoso e conhecido: Terra da Luz. Fazendo jus à sua alcunha e não obstante os obstáculos que a verticalização a qual transforma as cidades de todo o mundo, ainda há o que admirar - e muito! - nesta terra de muita luz: o pôr-do-sol.

Seja na praia, numa estação de tratamento, na altitude de um apartamento ou na ladeira de um bairro antigo - antigo por ser um dos primeiros locais de ocupação da cidade, o lado oeste - Fortaleza exibe um pôr-do-sol multifacetado, muito embora ele seja único; multifacetado por poder oferecer várias formas de admiração do crepúsculo devido às tonalidades que a proximidade da cidade à linha do Equador - pouco mais de 5º - proporcionam aos admiradores desse fenômeno da natureza.

Por mais que a urbanização e seus fatores negativos avancem e retirem os prazeres que uma cidade pode oferecer, com a natureza - hoje os braços trabalham na (tentativa de) recuperação das lagoas - pelo menos das maiores e mais importantes, avaliando a história e cultura de cada uma, por exemplo, quando antes a infância tinha ligação intrínseca com o lazer com e nas lagoas -, o que há nos céus não pode ser usurpado (ainda?).

Fotos: 1) Ponte dos Ingleses, na Praia de Iracema (26/10); 2) Estação Tupã-Mirim de Tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará (CAGECE), no Conjunto Veneza Tropical (23/10) e 3) Rua Amazonas, no Panamericano (27/10).
Registro: Felipe Silveira

Justicando a ausência...

Em Natal, estive(mos) no EREGENE (Encontro Regional dos Estudantes de Geografia do Nordeste), de onde registramos algumas imagens que Fortaleza poderia até revelar. Neste momento, as fotos falam mais alto que as palavras.

Fotos: 1)
Avenida Engº Roberto Freire (educação e fluidez no trânsito); 2) Forte dos Reis Magos (preservação e valorização histórica) e 3) Grupo de maracatu na rua, em frente à Pinacoteca (incentivo à Cultura na e pela Cultura).



Registro: Felipe Silveira

11/01/2006

Ausência

Aviso aos navegantes: devido a viagens de compromisso universitário, os posts de hoje e de domingo ocorrerão na segunda e quarta, e os da próxima semana, na sexta e na segunda seguinte.

O blogueiro.