9/26/2006

Abandono x Bucolismo


Descendo rumo à Praia de Iracema rente ao mar, deparei-me com obras que faz anos que começaram e parecem não ter fim. É doloroso ver um espaço sendo esquecido, abandonado, "putrefado", ainda mais porque fere o ambiente, tanto no aspecto ambiental e sanitário quanto no visual, no arquitetônico.

Existem espaços na Praia de Iracema que não são lindos como deveriam ser - ou realmente já foram, em tempos não tão remotos. Passando pelas proximidades do Sindicato dos Engenheiros do Estad
o do Ceará, percebi, antes de fotografar as imagens do abandono visíveis nos compensados e pichações, um ambiente interior lindo, com nítidas influências arquitetônicas francesas - devem ser, portanto, do período da belle époque do início do século XX. Na tentativa de tirar uma foto decente e não ser visto por suspeitos ladrões que volta e meia se infiltram no belo espaço (logicamente não admirando...), fui abordado por um senhor que estava sentado: "Que foi?" Respondi suavemente: "Estou tirando fotos para meu trabalho de pesquisa." "É engenheiro?" "Sou geógrafo." E o silêncio tomou espaço. Preconceito à minha futura profissão? Não importa. As forças estão focadas na revitalização e usufruto consciente do local por nós, fortalezenses.

Foto 1: Contraste entre as formas de uso do espaço (trabalho vivo e trabalho morto).
Foto 2: Rua Pacajus: Edificação "morta"; abandono visível.
Registro: Felipe Silveira

Bucolismo x Abandono


A Praia de Iracema, um dos bairros mais antigos e celeiro histórico e cultural de Fortaleza, tem aquele ar bucólico dos raios de sol que iluminam as paredes dos casebres e as águas do mar ainda latentes, embora o processo de "putrefação urbana" também esteja presente.

Em estudo desenvolvido por nós cujo objetivo-mor é reduzir o déficit habitacional de Fortaleza, um dos seus problemas de maior densidade, tentamos justificar, através exatamente do porquê de ser a antiga Prainha e, depois, a antiga Praia do Peixe - e englobando todo o contexto e patrimônio culturais, como o Poço da Draga e a Ponte Metálica - os motivos para que o local seja uma
ZEIS (Zona Especial de Interesse Social), em que tanto o poder público quanto a sociedade civil precisam promover formas e meios de haver habitabilidade nos vazios urbanos presentes na Praia de Iracema, para que o ar bucólico das manhãs e as brisas do Oceano Atlântico não sejam de vez abandonados e deixados aos marginais e especuladores.

Foto 1: Rua dos Tabajaras em horizontal, de frente para o Oceano Atlântico.
Foto 2: Ponte Metálica.
Registros: Felipe Silveira

9/19/2006

Religiosidade enorme.


A Catedral de Fortaleza, instalada na Praça da Sé, ou Caio Prado - esse é seu nome original, embora em desuso - é uma das maiores catedrais do país e do mundo (lembrar que existem ainda as basílicas, ainda maiores que as catedrais).

De beleza imensurável tanto por fora quanto por dentro, a Catedral,
sediada no local onde havia a antiga Igreja da Sé, atrai vários visitantes diariamente, apesar de não estar em muitos dos programas turísticos de Fortaleza. Com o maior movimento oriundo dos próprios munícipies, a Catedral (ou talvez o seu espaço físico) se insere atualmente no contexto do capital, possuindo um estacionamento privado em seus domínios, aproveitando a grande demanda no Centro por este tipo de serviço. Mas, curiosidade à parte, ressalva-se a sua arquitetura gótica e o seu esplendoroso jogo de vitrais, que dão um colorido a mais ao ambiente, à alma.

Será que poderíamos incluí-la no contexto da Geografia Cultural e explorá-la turisticamente?

Fotos: Catedral, na Avenida Alberto Nepomuceno, de frente e por dentro
Registro: Felipe Silveira

9/15/2006

Duas Imagens


Por trás de toda essa beleza que a foto exibe, de uma paisagem exuberante a qual este trecho de litoral fortalezense oferece, está um dos maiores problemas morfoclimáticos de Fortaleza: as ilhas de calor. Ilhas de calor são locais com um excesso de calor devido a presença de elementos como asfalto, concreto e CO², porém, as ilhas de calor existentes em Fortaleza, tendo como maiores exemplos os bairros mais periféricos e o próprio Centro, quase no recorte litorâneo, está justamente pelo abuso de belas paisagens como esta: o violento processo de verticalização, o qual acabou formando um verdadeiro paredão na orla marítima e impede a circulação dos ventos. Vale ressaltar que a extensão desse paredão ultrapassa a extensão da Avenida Beira Mar, que possui aproximadamente 10 quilômetros (eu posso estar equivocado). Os bairros que mais possuem prédios, Aldeota e Meireles, possuem os mais caros valores do metro quadrado da cidade.

9/11/2006

Origens

A ocupação inicial portuguesa aconteceu nas proximidades do local que hoje é a Barra do Ceará, enquanto a holandesa se instalou nas margens do Marajaik - futuramente o rio Pajeú, quase morto. Só após a capitulação holandesa que a ocupação, novamente nas mãos portuguesas, se consolidou, séculos depois, após a transformação do forte em fortaleza pelas ações do governador Manuel Inácio Sampaio (Visconde de Lançada) e Silva Paulet (1816), urbanista, fato este que deu, logo em seguida, o nome à cidade.

Ausência válida e suprida

















Por uns tempos ausente devido a um compromisso: o EEEGE (Encontro Estadual dos Estudantes de Geografia), do qual participei e tive algumas ótimas experiências.
Para retratar a viagem, apenas uma foto, a de seu ponto de maior relevância: o Arco do Triunfo.

Foto: Felipe Silveira

9/06/2006

Propósito do blog.

À priori , qual o propósito do blog?
Talvez, em uma entrevista comigo mesmo, essa resposta sairá:


Existem várias Fortalezas em uma só Fortaleza, em uma só cidade, em um só espaço, em um só território: a Fortaleza belle époque; a Fortaleza das mudanças; a Princesa do Norte; a Terra da Luz...
O que me traz fazer este blog é que cada um que vem me visitar ou aprender um pouco sobre a capital do estado do Ceará, com menos parcialidade que a mídia impõe a cada um de nós, vir de peito aberto e conhecer as belezas e os problemas da quarta maior cidade do Brasil, a qual nasceu portuguesa, mamou nas tetas holandesas, cresceu com empurrões inglês e hoje, senão madura, próxima disso a todos nós. Desde o berço percebemos a diversidade cultural existente aqui - e que o Brasil também ostenta -, seja na mistura mameluca, cabocla ou na "pureza" indígena, negra ou branca.

Daqui pra frente, um pouco de Fortaleza, para o mundo.

Foto: Estátua de Iracema, de Audifax Rios, em alusão à personagem homônima, de José de Alencar.
Registro: Felipe Silveira
Testando...
Pronto!

Espaço criado!